Eleições nos Estados Unidos: em voto de protesto contra Trump, democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado

Os norte-americanos enviaram nesta terça-feira a Donald Trump uma contundente mensagem de rejeição ao seu governo, principalmente em razão da situação econômica e do alto custo de vida. Em uma demonstração de força da oposição, os eleitores votaram em massa nos candidatos do Partido Democrata.

Em uma noite desastrosa para o presidente dos Estados Unidos, os republicanos perderam o controle da Câmara dos Representantes e também foram derrotados na disputa pelo Senado. Com isso, Trump poderá enfrentar sérias dificuldades para governar nos dois últimos anos de seu mandato.

Trump havia pedido publicamente, em diversas ocasiões, que os eleitores votassem como se seu próprio nome estivesse nas cédulas eleitorais. E foi exatamente o que fizeram: os norte-americanos responsabilizaram o presidente pela situação do país, pelo desempenho da economia e pelos rumos de sua administração.

Em uma reação surpreendente, Trump recorreu à rede social Truth Social à meia-noite para contestar o resultado. Sem demonstrar constrangimento, escreveu: “Meu nome não estava nas cédulas eleitorais e, se estivesse, teríamos conquistado uma vitória esmagadora!”

A declaração marcou sua primeira manifestação diante dos resultados desfavoráveis ao Partido Republicano.

Os democratas conseguiram avançar na disputa ao conquistar cadeiras anteriormente republicanas na Carolina do Norte, Carolina do Sul, Texas, Iowa e Kansas. Também apareciam em posição favorável para ampliar suas vitórias em Michigan, Ohio e Alasca.

Em alguns desses estados, a mudança representava um resultado histórico. O Texas, por exemplo, não elegia um senador democrata desde 1988. No Kansas, a última vitória democrata para o Senado havia ocorrido em 1932.

Além das eleições para o Congresso, os norte-americanos também escolheram, nesta terça-feira, 36 governadores e mais de 6.100 representantes nas assembleias legislativas estaduais, além de participarem de consultas populares e disputas por outros cargos locais.

O conjunto dos resultados redesenhava o mapa político dos Estados Unidos para os próximos dois anos. Até então predominantemente republicano, identificado pela cor vermelha, o cenário passou a apresentar maior presença democrata, representada pelo azul.

Para Trump, o novo quadro político é especialmente desfavorável. Sem maioria em nenhuma das duas Casas do Congresso, o presidente passa a enfrentar o risco de se transformar em um lame duck, expressão da política norte-americana que pode ser traduzida como “pato manco” e designa governantes que perdem força política diante de um Legislativo controlado pela oposição.

O voto de protesto dos eleitores

Na segunda metade do mandato, Trump deverá encontrar dificuldades para aprovar projetos de lei e implementar sua agenda política. As presidências de comissões estratégicas nas duas Casas passarão ao controle democrata. O partido também terá maior influência sobre a aprovação de juízes, autoridades e outras indicações importantes feitas pela Casa Branca.

Outro risco para o presidente é a possibilidade de os democratas utilizarem o controle do Congresso para iniciar um processo de impeachment, ou julgamento político, em razão de eventuais controvérsias envolvendo sua vida pessoal ou sua administração.

A derrota foi particularmente dura para Trump porque diversos candidatos escolhidos ou apoiados pessoalmente por ele perderam as disputas ou caminhavam para a derrota.

Na Carolina do Sul, por exemplo, a republicana Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham, amigo pessoal do presidente, foi derrotada pela democrata Annie Andrews. Os democratas não conquistavam uma cadeira no Senado pelo estado desde 1998. Em 2024, Trump havia vencido na Carolina do Sul por aproximadamente 18 pontos percentuais.

No Texas, outro candidato apoiado pelo presidente, o procurador-geral Ken Paxton, enfrentou dificuldades diante do democrata James Talarico, que conquistou uma vitória expressiva. Paxton, que enfrentava acusações de corrupção e tinha dificuldades para ampliar seu apelo eleitoral, não conseguiu mobilizar o eleitorado como esperado.

Na disputa pelo governo do Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, em uma vitória surpreendente em um estado historicamente identificado com o Partido Republicano.

A principal vitória de Trump ocorreu na Flórida, ainda assim por uma margem apertada. O ex-congressista republicano Byron Donalds, apoiado pelo presidente, venceu o democrata David Jolly na corrida pelo governo estadual. Ele será o sucessor de Ron DeSantis, uma das principais lideranças republicanas do estado.

Escrito por Redação

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