Supostos pagamentos a Milei amplia pressão política em meio ao pior momento das relações entre Brasil e Argentina

Em um momento de crescente isolamento diplomático entre Brasília e Buenos Aires, uma nova reportagem publicada na Argentina voltou a colocar o presidente Javier Milei no centro de uma controvérsia. O portal argentino El Destape divulgou documentos, áudios e mensagens de texto que, segundo a publicação, indicariam possíveis pagamentos feitos ao presidente argentino e à secretária-geral da Presidência, Karina Milei, no contexto do escândalo envolvendo a criptomoeda $LIBRA.

A divulgação ocorre em um cenário de forte deterioração das relações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. Desde o início do mandato do presidente argentino, os dois líderes trocaram críticas públicas e divergiram em temas de política externa e integração regional. Nos últimos meses, o relacionamento entre os países sofreu novo desgaste, com redução do diálogo diplomático em temas estratégicos e crescente distanciamento entre os governos.

Segundo o El Destape, as provas foram extraídas do celular do empresário Mauricio Novelli, apontado como um dos envolvidos no caso da criptomoeda $LIBRA. Entre os arquivos estariam documentos identificados como “Pago Javier Kari”, além de mensagens e registros que coincidiriam com visitas de Novelli à Casa Rosada, encontros que constam na agenda oficial da Presidência argentina.

A reportagem afirma ainda que o material já estaria, há meses, sob análise do procurador Eduardo Taiano, responsável pela investigação, mas que até agora não houve avanços sobre o suposto envolvimento de Milei e de sua irmã. Diante disso, a Comissão de Investigação da Câmara dos Deputados da Argentina anunciou que apresentará uma denúncia formal contra o procurador por suposta omissão na condução do caso.

O episódio remete ao escândalo da criptomoeda $LIBRA, ocorrido em fevereiro de 2025. Na ocasião, Milei divulgou o ativo digital em sua conta na rede social X, afirmando que o projeto estimularia investimentos em pequenas empresas argentinas por meio da iniciativa chamada “Viva La Libertad Project”. Horas depois, a moeda registrou uma valorização expressiva antes de despencar, movimento que levantou suspeitas de um esquema conhecido como pump and dump, no qual a valorização artificial é seguida pela venda em massa dos ativos pelos seus controladores.

Estimativas publicadas pela imprensa argentina indicam que os responsáveis pelo esquema teriam obtido lucros entre US$ 70 milhões e US$ 100 milhões em poucas horas, enquanto mais de 40 mil investidores sofreram prejuízos, incluindo compradores da Argentina, dos Estados Unidos, do Canadá e de países europeus.

As investigações também apontam que, entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, Milei recebeu na Casa Rosada empresários posteriormente associados ao projeto, entre eles Mauricio Novelli, Manuel Terrones Godoy, Sergio Morales e o empresário norte-americano Hayden Davis.

Até o momento, Javier Milei e Karina Milei negam irregularidades, e não há condenação judicial relacionada às alegações divulgadas. As acusações seguem sob investigação pelas autoridades argentinas.

Escrito por Redação

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