As novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem atingir com intensidade alguns dos principais polos industriais do país. Entre eles está Joinville, que aparece como o terceiro município brasileiro mais afetado pelas medidas anunciadas pelo presidente Donald Trump, segundo levantamento publicado pelo Estadão com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Amcham Brasil.
A posição de Joinville no ranking reflete o peso da indústria metalmecânica na economia local, um dos segmentos mais atingidos pelas sobretaxas. O estudo avaliou o desempenho das exportações brasileiras em 2024 e cruzou esses dados com os dez grupos de produtos sujeitos às novas tarifas americanas.
A cidade catarinense aparece atrás apenas de Piracicaba (SP) e da capital paulista entre os municípios com maior exposição às medidas comerciais.
Municípios mais afetados pelo novo tarifaço dos Estados Unidos
- Piracicaba (SP) – US$ 1,192 bilhão;
- São Paulo (SP) – US$ 239,4 milhões;
- Joinville (SC) – US$ 229,9 milhões;
- Serra (ES) – US$ 216,1 milhões;
- Petrópolis (RJ) – US$ 216,1 milhões;
- Suzano (SP) – US$ 191,9 milhões;
- Campo Largo (PR) – US$ 184,1 milhões;
- Cachoeiro de Itapemirim (ES) – US$ 178,6 milhões;
- Guarulhos (SP) – US$ 176,8 milhões.
Entre os produtos alcançados pelas novas tarifas estão madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados, gorduras vegetais e animais, além de armas e seus componentes. Em contrapartida, setores de grande peso nas exportações brasileiras, como combustíveis, carnes, café e suco de laranja, ficaram de fora das novas medidas.
No caso de Joinville, o impacto está diretamente relacionado ao perfil industrial do município. Reconhecida como o maior polo metalmecânico de Santa Catarina, a cidade mantém forte presença no mercado norte-americano por meio da exportação de máquinas, equipamentos e componentes industriais. Com o aumento dos custos de entrada desses produtos nos Estados Unidos, empresas locais podem enfrentar perda de competitividade, redução das vendas externas e maior pressão sobre a produção destinada ao mercado internacional.
O levantamento do Estadão aponta que os efeitos das tarifas tendem a se concentrar justamente nos municípios cuja economia depende de setores industriais voltados à exportação, tornando Joinville uma das cidades brasileiras mais vulneráveis às mudanças na política comercial americana.

