Item estava sobre o caixão do vocalista dos Mamonas Assassinas e foi localizado durante exumação em Guarulhos
Quase três décadas após a morte de Dinho, uma peça simbólica voltou a chamar a atenção dos fãs da banda. Uma jaqueta que havia sido colocada sobre o caixão do cantor foi encontrada intacta durante a exumação realizada no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
O procedimento ocorreu na segunda-feira (23) e envolveu os restos mortais dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas: Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli.
Peça foi colocada no enterro
Segundo o CEO da marca ligada ao grupo, a jaqueta foi posicionada sobre o caixão de Dinho no dia do enterro, há quase 30 anos. Ele esclareceu que o item não foi colocado pela então namorada do cantor, mas por um integrante da equipe da banda.
“Sabemos que essa jaqueta foi jogada por uma pessoa da equipe dos Mamonas e não pela Valéria. Ela estava na parte superior do caixão e foi encontrada intacta”, explicou.
Nas redes sociais, internautas levantaram questionamentos sobre o estado de conservação da peça. No entanto, a explicação é técnica: a jaqueta é confeccionada em nylon, material sintético derivado de plástico, cuja decomposição pode levar cerca de 200 anos.
Destino será memorial em Guarulhos
A família de Dinho informou que pretende encaminhar a jaqueta para integrar o acervo permanente do museu do Centro Universitário FIG-Unimesp, em Guarulhos. A proposta é que o item faça parte de uma exposição aberta ao público, permitindo que fãs possam visitar e manter viva a memória do artista.
O pai do vocalista destacou que o momento também representa uma mudança de perspectiva sobre os rituais de despedida. “A exumação é uma evolução e você tem que acompanhar. Antes não tinha essa tecnologia. A evolução te faz aprender a viver os dias de hoje”, afirmou.
Memorial ecológico terá cinco jacarandás
A exumação foi decidida em comum acordo entre as famílias dos músicos. A intenção é que as cinzas sejam depositadas junto a árvores nativas em um memorial ecológico aberto à visitação.
O espaço se chamará Jardim BioParque Memorial Mamonas e contará com o plantio de cinco jacarandás — um para cada integrante. A escolha das árvores carrega simbolismo ambiental e afetivo, transformando o local em um “memorial vivo”.
Tragédia marcou o país em 1996
Os integrantes dos Mamonas Assassinas morreram na noite de 2 de março de 1996. Após um show em Brasília, o jatinho que transportava a banda de volta para São Paulo caiu na Serra da Cantareira, na Grande São Paulo. Não houve sobreviventes.
A tragédia interrompeu precocemente a trajetória de um dos grupos mais populares da música brasileira nos anos 1990 e provocou comoção nacional. Até hoje, quase 30 anos depois, a história da banda segue mobilizando gerações de fãs.
“Vira-Vira”, sucesso de 1995 dos Mamonas Assassinas, foi composta por Dinho e Júlio Rasec. A música é uma paródia/referência ao cantor português Roberto Leal, incorporando o estilo do fado e do vira português.

