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A pré-candidatura presidencial de Romeu Zema (Novo) enfrenta turbulências dentro do próprio partido. Em Santa Catarina, estado considerado estratégico para o projeto nacional da legenda, o ex-governador de Minas Gerais foi desconvidado de um encontro partidário previsto para o início de julho, ampliando o desgaste entre lideranças estaduais e a direção nacional.
A decisão foi comunicada pelo presidente do diretório catarinense do Novo, Kahlil Elias Assib Zattar, que informou aos filiados que o convite anteriormente feito ao pré-candidato foi retirado após conversas com dirigentes da sigla no estado. O comunicado também traz um recado político contundente: caso não ocorram mudanças imediatas na equipe de comunicação de Zema, o diretório catarinense poderá se posicionar contra sua indicação como candidato à Presidência da República.
O episódio ocorre em meio à repercussão das críticas feitas por Zema ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A polêmica teve início após a divulgação de informações sobre a relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Na ocasião, o mineiro classificou como “imperdoável” a tentativa de obtenção de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora tenha recuado posteriormente, tratando o assunto como uma “página virada”, Zema voltou a endurecer o discurso nos dias seguintes. Em uma das declarações mais contundentes, afirmou que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”, reforçando o distanciamento em relação ao caso.
As críticas provocaram forte reação em setores ligados ao bolsonarismo. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro chegou a defender o rompimento da aliança entre PL e Novo, ampliando a pressão sobre a pré-campanha presidencial do governador mineiro.
Nos bastidores, integrantes da executiva nacional do partido afirmam que a decisão tomada em Santa Catarina não foi discutida com a direção nacional e relatam insatisfação crescente entre filiados. Há inclusive movimentações internas defendendo a substituição do comando estadual da legenda.
Apesar do atrito, Zema adotou tom conciliador ao comentar o episódio. O pré-candidato afirmou manter uma relação positiva com Santa Catarina e disse acreditar que continuará sendo bem recebido pelos catarinenses.
A crise ganha relevância adicional porque Santa Catarina é um dos principais redutos eleitorais da direita no país. O Novo também possui papel importante no cenário político estadual. O ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, um dos nomes mais conhecidos da legenda no estado, é apontado como pré-candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo governador Jorginho Mello (PL) para a eleição de 2026.
Enquanto busca preservar pontes com aliados conservadores, Zema tenta evitar que o desgaste interno comprometa a construção de sua candidatura nacional. Nesta semana, durante evento em São Paulo, o ex-governador sinalizou que as forças de direita tendem a se unir em um eventual segundo turno contra o PT, numa tentativa de reduzir as tensões e manter aberta a interlocução com os diferentes grupos do campo conservador.

