Tome Nota com Enio Alexandre
Há despedidas barulhentas, com lágrimas, discursos e aplausos. E há aquelas silenciosas, quase constrangedoras. A do Joinville da chamada “elite” do futebol catarinense parece pertencer ao segundo tipo. – A palavra elite contém uma boa dose de ironia.
Porque, sejamos sinceros: o futebol de Santa Catarina anda muito ruim. Mesmo com o retorno da Chapecoense à Série A nacional, é preciso reconhecer que o representante catarinense hoje não mete medo em ninguém. Não assusta, não impõe respeito.
E se já não está fácil para a Chape, imagine então para o JEC.
Entre os quatro piores times do estadual, no quadrangular para definir os três rebaixados, o Tricolor terminou como lanterna. Um destino que, olhando com frieza, não chega a ser exatamente surpreendente. No ano passado, a presença nas semifinais do campeonato ocorreu muito mais pela fragilidade geral dos participantes do que por méritos consistentes do próprio Joinville.
Esse é o perigo de uma competição fraca: você pode virar semifinalista… ou cair. Às vezes no intervalo de apenas uma temporada.
E cair, no caso do Campeonato Catarinense, significa entrar numa realidade dura. A segunda divisão estadual beira o futebol amador. Campos modestos, pouca visibilidade e um calendário que mal sustenta um projeto profissional.
E que o torcedor do JEC não se iluda: voltar não será simples.
O exemplo mais claro veio justamente nesta rodada derradeira. O Figueirense, outro gigante histórico do estado, precisava vencer para escapar. Jogava em casa. E acabou goleado pelo Carlos Renaux. Ainda dependia de uma vitória do Joinville… que não veio. O Tricolor foi derrotado por 2 a 0 pelo Marcílio Dias.
JEC e Figueirense rebaixados
Dois clubes que por décadas ajudaram a escrever os capítulos mais importantes do futebol catarinense agora terão algo em comum em 2027: disputarão a segunda divisão estadual.
Há, porém, uma diferença importante. O Figueirense está na Campeonato Brasileiro Série C, o que garante calendário nacional por pelo menos mais dois anos. Já o Joinville vive realidade mais delicada. Disputa a Campeonato Brasileiro Série D e tem chance remota de acesso. E no ano que vem talvez o JEC tenha apenas a segunda divisão estadual no calendário.
Antes disso, ainda há um compromisso que pode aliviar — ao menos um pouco — a temporada. Na próxima terça-feira, o Joinville recebe o São Bernardo pela Copa do Brasil.
Mesmo jogando em casa, o JEC entra como zebra. Se passar, ao menos entra algum dinheiro no caixa — algo sempre bem-vindo para um clube endividado.
E assim, no ano do cinquentenário, a torcida tricolor olha para a própria história com um misto de orgulho e preocupação. O Joinville que já levantou títulos, lotou arquibancadas e dominou o futebol catarinense agora encara um cenário bem mais modesto.
Uma despedida melancólica da elite.
Ainda que, convenhamos, essa elite já não seja lá grande coisa.

