Esta humilde colaboradora gostaria de lembrar a todos que, no ano de 2024, a Câmara de Vereadores de Joinville cassou o então vereador Mauricinho Soares (MDB), sob o pretexto de quebra de decoro parlamentar. Naquela ocasião, Cleiton Profeta foi o relator do processo de cassação — em outras palavras, o algoz.
Naquele momento, lembro-me de ter alertado: “vocês estão abrindo um grave precedente aqui”. E agora, cá estamos.
No caso de Mauricinho, a cassação teve caráter meramente político, conduzida em um rito atropelado e em evidente descompasso com a legislação. Mauricinho acabou absolvido da denúncia criminal que pesava contra ele. Ainda assim, perdeu o mandato e seus direitos políticos. Mas quem se importa? Mauricinho não era querido entre seus colegas de bancada, que covardemente o abandonaram.
Meses depois, uma grande operação de busca e apreensão ocorreu nas dependências da Câmara de Joinville, com o objetivo de avançar em uma investigação envolvendo o então vereador Nado. Mesmo assim, a classe legislativa não interpretou o fato como possível quebra de decoro e sequer cogitou qualquer punição. Afinal, corrupção aparentemente não é algo tão grave quanto gritar.
No ano passado, a vereadora Liliane da Frada também protagonizou episódios que causaram grande alvoroço, com falas que muitos consideraram ofensivas e incitadoras de ódio. O vereador Willian Tonezi (PL) chegou a protocolar um pedido de abertura de Comissão Processante para apurar o comportamento da colega. Contudo, a maioria votou contra a abertura do processo. Novamente: quem se importa? Liliane integra a base do prefeito — e, enquanto permanecer alinhada ao poder, seguirá protegida.
Discussões acaloradas e comportamentos inadequados sempre fizeram parte do ambiente político. Prova disso é que, na semana passada, uma reunião da CPMI do INSS terminou em confusão generalizada e até agressão física.
Mesmo diante desse episódio, os próprios parlamentares envolvidos decidiram não levar o caso adiante para qualquer tipo de apuração formal, preferindo seguir a velha dança da política e o tradicional jogo de cintura. Afinal, ainda que moralmente reprovável, brigas também fazem parte da vida pública.
Certo ou errado, relevante ou irrelevante, pouco importa: esse tipo de situação acompanha a política desde sempre. O curioso é que, em nossa bela província, parece que alguns valores foram invertidos no cenário político municipal.
É fato que praticamente não existe oposição ao prefeito Adriano Silva (Novo). A pequena resistência que ainda existia foi neutralizada após a aliança política entre o governador Jorginho de Mello e o prefeito, movimento que acabou silenciando boa parte dos parlamentares do Partido Liberal — claro, com uma exceção: Cleiton Profeta, o rebelde implacável.
Confesso que, muitas vezes, fica difícil defender Profeta. Seus gritos são, de fato, insuportáveis. Mas talvez a pergunta correta seja outra: por que ele grita tanto?
Gostemos ou não, Profeta acabou se tornando a voz crítica mais estridente e persistente contra a gestão municipal. Isso incomoda muita gente — mas também agrada uma parcela considerável de eleitores, que demonstram apoio a ele nas redes sociais.
No início desta semana, o Partido Novo protocolou uma denúncia contra Profeta, requerendo a instauração de uma Comissão Processante sob a acusação de quebra de decoro parlamentar, citando comportamentos considerados ofensivos e agressivos.
Entre os episódios mencionados está uma suposta discussão entre Profeta e Henrique Deckmann nos bastidores da casa legislativa.
Deckmann, diga-se de passagem, também é conhecido por sua personalidade combativa. No quesito gritaria, não fica muito atrás de Profeta — com uma diferença importante: seus gritos raramente são direcionados à administração municipal ou ao intocável Adriano Silva.
A cassação de Profeta tornou-se uma possibilidade concreta. Caso ocorra, ele poderá perder o mandato e também seus direitos políticos — tudo isso, ao que parece, por gritar e se comportar de maneira agressiva.
A Comissão Processante, aliás, demonstra pressa. O processo já foi instaurado e o calendário de atividades definido, como se houvesse urgência em silenciar os gritos de Profeta.
Aos que esperam alguma mudança no cenário, convém moderar o otimismo. Afinal, quem se importa?
Profeta se tornou uma pedra no sapato de muitos vereadores do Partido Novo, expondo frequentemente problemas na gestão de Adriano Silva.
À beira de ser expulso do próprio Partido Liberal, Profeta acabou encurralado em uma arapuca política cuidadosamente montada. E, a menos que aconteça um milagre — algo raro na política — tudo indica que está fadado a perder seu cargo.

