Tome Nota com Enio Alexandre
A renúncia foi oficializada no dia 2 de abril de 2026, dentro do prazo exigido pela Justiça Eleitoral. O motivo é claro: Adriano vai disputar as eleições como pré-candidato a vice-governador na chapa de reeleição do governador Jorginho Mello.
Com a saída, quem assume é Rejane Gambin. E aqui, sim, há um marco histórico: pela primeira vez, Joinville terá uma mulher no comando do Executivo municipal. Esse fato, por si só, já entra para a história política da cidade.
Mas e Adriano? Qual é o legado?
O prefeito deixa o cargo com popularidade. Mas uma popularidade que, em grande parte, foi alicerçada em forte investimento em publicidade e presença constante na mídia social, no que, diga-se de passagem, ele é muito bom. Na prática, se formos analisar com frieza, seu governo não foi ruim. Mas também não foi extraordinário. Foi uma administração regular.
E isso leva à pergunta: se foi tão regular, por que a reeleição foi tão fácil?
A resposta talvez seja mais simples do que parece: faltou adversário à altura. Faltou oposição consistente. Faltou um projeto político capaz de disputar Joinville de verdade. Tanto é assim que, na última eleição, o próprio PL não conseguiu unificar sua base. Houve, inclusive, parlamentares com camisa do PL trabalhando em favor do Novo. Jorginho Mello tentou até o último momento uma aproximação com Adriano Silva nas eleições municipais. O que se concretizou apenas agora.
No campo das obras, existem realizações que precisam ser registradas. A ponte que leva o nome de seu avô, Albertinho Bornschein, é uma delas. Assim como o acesso e as melhorias na infraestrutura da praia do Vigorelli. São entregas reais, importantes, mas que não têm o tamanho de uma cidade como Joinville.
Porque Joinville não é uma cidade qualquer. É o município que mais arrecada em Santa Catarina. É o maior colégio eleitoral do Estado. É uma potência industrial. Uma cidade que, por sua força, merecia obras mais estruturantes, mais ambiciosas e mais marcantes. A zona sul segue abandonada pelo poder público, o problema das cheias continua, a saúde presta um serviço ineficiente, a mobilidade urbana na cidade é um caos. E lógico que isso não é culpa somente da atual gestão, mas pouco se fez para alterar esse quadro.
Por isso, quando se fala em legado, o que fica é mais um perfil de gestão do que um marco histórico. Uma prefeitura razoavelmente organizada, com poucos escândalos, com boa comunicação, mas sem transformações que mudassem o rumo do município.
E agora, no tabuleiro político, a escolha de Adriano como vice de Jorginho Mello parece menos um movimento para conquistar Joinville e mais uma jogada para não perder os votos dos joinvilenses.
Jorginho sabe que o maior colégio eleitoral de Santa Catarina não pode ser entregue ao adversário. E sabe também que Adriano, mesmo sem um legado histórico, tem um nome forte na cidade, uma imagem bem trabalhada e uma rede de apoio que pode ajudar muito.
Se Adriano tivesse mantido o acordo firmado com o PSD na campanha de reeleição, talvez hoje estivesse em outro caminho: poderia ser vice de João Rodrigues ou até mesmo sonhar com uma vaga ao Senado. Jorginho, prevendo esse risco, antecipou o movimento.
E Adriano aceitou
Talvez por ambição. Talvez por estratégia. Talvez por entender que o futuro político lhe permite dar saltos maiores.
Agora, Joinville segue. Com uma nova prefeita. Com novas promessas. E com a mesma exigência de sempre: resultado.
Porque o tempo passa. E o que fica, no fim, não é o marketing. É a obra. É a entrega. É a marca que a cidade carrega no dia a dia.
E essa marca, no caso de Adriano Silva, ainda está em discussão.

